Eu me diminuo para caber nas expectativas do outro, me ajusto, suavizo o que sinto, escondo o que incomoda. Eu viro a versão "mais fácil de amar".
A esperança silenciosa da menor versão de mim
No fundo, existe uma esperança silenciosa:
"Se eu for menos, talvez ele fique."
"Se eu me adaptar mais um pouco, talvez eu seja escolhida."
"Se eu não der trabalho, talvez eu receba amor."
Levou tempo e muita frustração pra eu aprender que amor não nasce da anulação. E pertencimento não nasce da distorção de si. O que nasce disso tudo é desalinhamento. Porque toda vez que eu me diminuo para caber, eu saio um pouco mais do meu eixo.
No começo parece pequeno, um silêncio aqui, uma opinião que eu engulo ali, um limite que eu não coloco. Mas, aos poucos, eu vou me afastando cada vez mais de mim.
E quando eu percebo, já tô distante do meu próprio sentir. Já não sei o que eu quero, o que é meu o que é do outro. Só me sinto perdida e cansada.
E o amor que eu esperava... não vem, não chega nunca.
E sabe por que? Porque eu não ofereci presença, ofereci adaptação.
Quando o amor não chega
E aí, o rompimento de uma relação, muitas vezes, não acontece porque o outro me desrespeitou. Acontece porque eu me desalinhei tantas vezes que a relação passou a sustentar a minha própria desconexão. E então vem a raiva. Mas a raiva não é sobre o outro. É sobre perceber que eu me abandonei... de novo.
Existe uma diferença profunda entre amar e se moldar
Quando eu me moldo, crio uma relação baseada em expectativa. Quando eu permaneço no meu eixo, eu crio uma relação baseada em verdade.
Voltar à presença não é aprender a impor limites com força. É restaurar o próprio eixo antes de precisar gritar. É voltar pro corpo. Perceber onde eu tô me contraindo. Onde eu tô cedendo além do que é verdadeiro. É entender que amor não pede que eu me reduza, mas que eu esteja inteira.
Quando eu descanso no meu eixo, não preciso me diminuir. E também não preciso culpar. Porque, quando eu estou alinhada, ou a relação se ajusta… ou ela naturalmente deixa de fazer sentido. Sem guerra. Sem dramatização. Sem fuga. Só alinhamento.
O desrespeito começa quando eu me afasto de mim. O amor começa quando eu retorno.
O retorno ao próprio centro
Faça essa pergunta: "Em que momento eu saí de mim pra tentar ser amada?"
"Presença é esse retorno. Não pra ser escolhida. Mas pra habitar o próprio centro. E, a partir dele, amar de verdade e sem se abandonar."